Prazer em ser educadora

Graduada em Sociologia Política (USP), História (PUC-SP), Mestre em Ciências Sociais (área educação) UFPE, desde muito jovem me perguntava por que tantas desigualdades sociais no meu país? As respostas que eu obtinha não eram satisfatórias, até que um dia (ensino médio) fiz muitas perguntas a um querido professor de história (Otaviano) e ele me disse: "com tantas dúvidas, acho melhor você estudar História, só ela te saciará ou provocará mais dúvidas ainda, o que fará de você, uma eterna pesquisadora"
Amei aquela resposta desafiadora e assim, paralelo a um período ditatorial me tornei uma mulher questionadora, participante do movimento estudantil universitário, e do primeiro partido da classe de fato trabalhadora do meu país, uma mulher que pouco a pouco vai percebendo o que fizeram com a América Latina, sem nunca deixar de vislumbrar-se com as "coisas" da Europa anglo-francesa.
Aliei a sociologia à história e ambas me dão uma outra visão do mundo, seja nos aspectos econômico-político-sócio-cultural, permitindo-me conviver com as diversidades, com as minorias sem discriminações, aprendi a acreditar em meu país, no meu povo.
Assim posso repassar aos meus alunos das mais diversas idades ou classes sociais, o conhecimento que venho adquirindo no decorrer dos tempos, mostrando a eles que devemos nos qualificar, nos especializar, não para tornarmos apenas um acadêmico, mas para nos transformar em um humanista sensível à inclusão social, acreditando na mudança de um homem quando tem oportunidades.
Foi assim que acabei de certa forma, influenciando ou alicerçando a ideia de alguns alunos a cursarem História ou Ciências Sociais. A eles (últimos) : Trícia, Dimitri , Amanda, Arlan , Laís, Claudia... (não é possível citar o nome de todos) eu dedico esse blog e espero poder tirar dúvidas e compartilhar com todos os amantes das ciências humanas.
Muito prazer em ser educadora ... Beth Salvia
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domingo, 26 de maio de 2013

INDEPENDÊNCIA DA AMÉRICA LATINA


Processo de emancipação político-administrativa empreendido pelas colônias ibéricas no continente americano, entre o final do séc. XVIII e as primeiras décadas do séc. XIX. Os ideais revolucionários foram impulsionados pelo fortalecimento da elite econômica e intelectual, chamada criolla (descendentes de espanhóis nascidos na América), pela difusão das ideias liberais da Revolução Francesa e da independência dos EUA e pelo avanço napoleônico sobre a Espanha e Portugal. A maioria das colônias espanholas libertou-se entre 1817 e 1825. O Brasil, único país da região colonizado por portugueses, emancipou-se em 1822. A luta das colônias hispano-americanas por autonomia foi marcada por diversas guerras entre a metrópole e os rebelados, além de conflitos entre os revolucionários. Do processo de emancipação emergiram nações divididas, o que atendia aos interesses da Inglaterra, dos Estados Unidos e das elites locais. O contexto em que a autonomia foi conquistada e o caminho tomado após a ruptura do pacto colonial – fragmentação em um grande número de repúblicas, manutenção do poder das oligarquias rurais, dependência do Capitalismo industrial inglês e ascensão de caudilhos (chefes militares) – fizeram da independência latino-americana um movimento fundamentalmente político, destituído de qualquer reformulação econômica e social.

A Política Colonial
l. As colônias da América Latina permaneceram sob domínio europeu por mais de 300 anos. Ao longo desse período, prevaleceram um modelo de colonização exploratória, a ausência de autonomia político-administrativa e um pacto colonial que impedia o desenvolvimento econômico da região colonizada.
O monopólio comercial era exercido pela metrópole, que lucrava duplamente ao comprar matérias-primas a baixos preços para comercializá-las na Europa e vender às colônias produtos ingleses manufaturados. A política colonial mercantilista chocava-se com os interesses econômicos da elite colonial e dos capitalistas ingleses, impedidos de vender suas mercadorias diretamente aos países da América. Isso explica o empenho da Inglaterra na independência das colônias ibéricas: o rompimento do pacto colonial permitiria estabelecer o livre comércio e garantir o desenvolvimento do Capitalismo industrial.
Ao mesmo tempo que impunham sua política mercantilista, as metrópoles limitavam o acesso das elites coloniais aos cargos administrativos e políticos. Na América hispânica, esses postos eram restritos aos chapetones, elite política, grupo minoritário formado por espanhóis nascidos na metrópole. Essa situação descontentava os criollos.
No início do séc. XIX, a expansão napoleônica mudou as relações de poder na Europa e influenciou o processo de emancipação da América Latina. A não-obediência ao bloqueio continental imposto contra a Inglaterra levou as tropas de Napoleão a invadir Portugal e a ocupar a Espanha – ver BLOQUEIO CONTINENTAL. A invasão de Portugal, com a consequente fuga da família real para o Brasil, provocou o rompimento do pacto colonial luso-brasileiro e acelerou o processo de independência do Brasil – ver INDEPENDÊNCIA do BRASIL. A ocupação da Espanha e a ascensão de José Bonaparte, irmão de Napoleão, ao trono espanhol desencadearam o processo de independência nas colônias hispano-americanas.

A América Espanhola - no início do séc. XIX, as possessões coloniais da Espanha na América Latina estavam divididas em quatro vice-reinados e quatro capitanias gerais. Havia os vice-reinados de Nova Espanha (México e parte do território que atualmente pertence aos EUA), Nova Granada (Colômbia e Equador), Prata (Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai) e Peru. As capitanias gerais eram representadas por Cuba, Guatemala, Venezuela e Chile.
Nessa época, a sociedade hispano-americana era formada por chapetones, criollos, mestiços (descendentes de índios e espanhóis) e indígenas. Apesar de serem minoria, os criollos dominavam todos os aspectos da vida colonial. Mas seus interesses divergiam. Os criollos eram partidários do livre comércio e da expansão dos setores produtivos, enquanto os chapetones defendiam a manutenção do monopólio metropolitano.
Primeiras Tentativas de Independência. O processo de independência hispano-americano teve início em 1780, quando Tupac Amaru comandou uma insurreição de 60 mil indígenas contra o domínio espanhol. A rebelião só foi totalmente esmagada pelos espanhóis em 1783. Em 1804, escravos revoltaram-se contra a elite branca e proclamaram a independência do Haiti, o segundo país da América a conseguir livrar-se do domínio europeu – o primeiro foram os EUA. Um ex-escravo negro, Toussaint L’Ouverture, foi o principal líder dos haitianos na luta pela liberdade.
Em 1811, explodiu na Venezuela um movimento emancipatório inspirado na independência norte-americana. Essa rebelião foi comandada pelo criollo Francisco Miranda, tendo sido vitoriosa temporariamente. A Venezuela proclamou sua independência em 1811, mas em 1812 uma contraofensiva do Exército espanhol derrotou os revolucionários e restabeleceu a condição de colônia na capitania. Miranda foi preso e deportado, morrendo em uma masmorra espanhola.

As Guerras de Independência - A ascensão de José I, irmão de Napoleão, ao trono espanhol, em 1808, estimulou o movimento de emancipação da América espanhola. Os criollos organizaram-se em cabildos (câmaras municipais) e constituíram juntas governativas, assumindo a administração das colônias. Com a restauração da monarquia em 1814, no entanto, a Espanha voltou a reprimir os movimentos separatistas, derrotando-os.
Com o apoio da Inglaterra, livre da ameaça francesa após a derrota de Napoleão em 1815, e dos EUA que, em 1823, proclamaram a Doutrina Monroe, garantindo proteção às nações recém-independentes contra a interferência das potências europeias, o movimento de autonomia da América espanhola viria a triunfar. A luta pela independência reiniciou-se em 1817 e terminou vitoriosa em 1825.
Dois movimentos revolucionários percorreram e libertaram a maioria das colônias. Do sul partiu o Exército liderado pelo general argentino José de San Martín, que conquistou a independência da Argentina, do Chile e do Peru. Da Venezuela, o general Simón Bolívar desencadeou a campanha militar que culminou na libertação desse país, da Colômbia, do Equador e da Bolívia. Seu exército participou também da libertação do Peru.
Em 1822, San Martín e Bolívar encontraram-se em Guayaquil, no Equador, para discutir o futuro das ex-colônias. Bolívar defendia a unidade política, com a formação de uma federação de repúblicas, a criação de uma força militar comum e a abolição da escravidão, entre outras medidas. San Martín defendia um governo monárquico constitucional, mas aderiu à ideia de Bolívar. Essa tese foi discutida no Congresso do Panamá, em 1826, sendo rejeitada.
Ao norte, o processo de independência do México havia começado em 1810, quando uma insurreição popular comandada por Miguel Hidalgo, padre Morellos e Vicente Guerrero opôs-se ao mesmo tempo à dominação espanhola e aos criollos. Formados por mestiços e índios, os revolucionários reivindicavam o fim da escravidão, a divisão das terras e a abolição de tributos, mas foram derrotados. A elite criolla assumiu o comando da luta pela independência, proclamada em 1821 pelo general Agustín Itúrbide, que se sagrou imperador em 1822 sob o título Agustín I. Um ano depois, foi deposto e fuzilado num levante republicano.
A América Central, que havia sido anexada ao México por Itúrbide, tornou-se independente em 1823, dando origem às Províncias Unidas da América Central. Em 1838, essas províncias se desmembraram em Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica e El Salvador. O Panamá obteve a independência em 1821 e a República Dominicana, em 1844. Cuba permaneceu como a última possessão espanhola no continente até a Guerra Hispano-Americana, em 1898.
Na América do Sul, o Uruguai, que se libertara do domínio espanhol em 1811, foi anexado pelo Brasil como Província Cisplatina em 1821, obtendo a independência em 1828. O Paraguai proclamou-se independente em 1813, constituindo uma república chefiada pelo criollo Gaspar Francia. Na Argentina, a emancipação declarada em 1816 só foi consolidada pela campanha militar de Manuel Belgrano e San Martín. O Chile tornou-se independente em 1818 graças à atuação dos Exércitos de San Martín e de Bernardo O’Higgins. O general argentino libertou Lima, o maior centro de resistência da Espanha no território colonial, em 1821. A independência peruana foi consolidada pelo Exército de Simón Bolívar, em 1824, quando o general Sucre, lugar-tenente de Bolívar, derrotou os espanhóis na Batalha de Ayacucho. A libertação da Venezuela foi efetivada em 1817; a da Colômbia, em 1819; a do Equador, em 1821; e a da Bolívia, em 1825 – todas por intermédio do Exército de Bolívar.


Pós-Independência - Ao contrário da América portuguesa, que manteve a unidade territorial e o regime monárquico após a independência, a América espanhola dividiu-se em várias nações e adotou o regime republicano.
O sonho de unidade (pan-americanismo ou bolivarismo) acalentado por Simón Bolívar no Congresso do Panamá (1826) chocou-se com os interesses das oligarquias locais – como a brasileira, comprometida com a monarquia escravista de Dom Pedro I – e com a oposição dos EUA e da Inglaterra, que apostavam na divisão política das nações recém-independentes como forma de expandir sua influência na América Latina. Após o fracasso da Conferência do Panamá, a América Latina fragmentou-se politicamente, dando origem a quase duas dezenas de pequenos Estados, governados pela aristocracia criolla.
O rompimento do pacto colonial e a liberdade político-administrativa passaram longe de mudanças sociais e econômicas. Velhas estruturas coloniais foram preservadas e a dependência econômica apenas mudou de endereço, transferindo-se da Espanha para a Inglaterra. Às incipientes repúblicas latino-americanas, divididas e enfraquecidas, coube o papel de continuar a fornecer matérias-primas e consumir produtos ingleses manufaturados. No campo político, como o processo de independência havia destacado o papel do Exército, as instituições civis permaneceram desorganizadas, o que possibilitou a ascensão de líderes militares, autoritários e personalistas – os caudilhos – em boa parte das ex-colônias.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

VENEZUELA





1498 - Foi invadida por Cristovão Colombo, que ainda bem,   não descobriu que por lá existia petróleo.
 Os nativos da região eram os índios caraíbas e arauaques, assim como os tupis, praticavam a agricultura de subsistência, mantinham a pesca e a caça, havia a divisão de trabalho entre homens e mulheres com ações definidas, assim como as crianças que só brincavam e os idosos que curavam.

 Essa gente foi obrigada a cristianizar-se abandonando suas crenças em deuses da natureza e ao contrário do que respeitavam antes, tiveram que derrubar árvores, matar animais, obrigados também a aprender o idioma espanhol, para que não organizassem motins contra os espanhóis, portanto os jesuítas proibíam que mantivessem o politeísmo ascestral e falassem seu próprio idioma, considerados incapazes, atrasados culturalmente, foram substituídos  por escravos negros JÁ SE IMAGINARAM ASSIM???? 

Os índios eram espancados nas missões jesuíticas, enforcados no Tribunal de Inquisição (é aqui existiu), contraíam  doenças do homem branco(febre, gripe, varíola), amedrontados pelas armas de fogo dos espanhóis, esses seres humanos foram aos poucos dizimando, o número de índios que restou era tão reduzido no século XIX, que ao pensar em independência da Espanha, outro grupo a realizou, esse grupo é denominado caudilhos, a aristocracia latifundiária da América Latina (no Brasil denominamos de coronéis), sim foram eles que preferiram o apoio dos EUA que com sua Doutrina Monroe (A América para os Americanos)  "ajudaram" a Venezuela e muitos outros países (Cuba, Nicarágua, Panamá,...) a se tornarem independentes da Espanha, através da Guerra Hispano-Americana. Em  troca dessa independência realizada pela e para a elite latifundiária, o país se endividou com os EUA, ou seja, tudo o que se produzia só poderia ser vendido aos EUA e a importação era realizada através do mesmo. Conclusão: dependência econômica que enriquecia os latifundiários, em detrimento de uma mão de obra livre legalmente, porém sem salários, os mestiços continuaram a trabalhar sem remuneração, mas em troca de um canto pra morar, um prato de comida, estudar nem pensar.  

Durante as Guerras Mundiais e a Guerra Fria, o país se voltou exclusivamente pra atender os caprichos norte-americanos, auxiliando na produção bélica, redimindo a produção local a ponto da agricultura e comércio superarem a indústria local, provocando o atraso econômico e cultural.

No  século XX esse povo mestiço precisava de investimentos em educação, saúde, habitação, lazer e reforma agrária urgente, para isso ocorrer, não era possível mais esperar de um governo democrático mudanças, porque estes já estiveram no poder desde a independência e financiados pela elite latifundiária, nuuuuunca fizeram ações que atendessem a maioria paupérrima, sempre prometeram e um país com sua maioria analfabeta, sem terra, é um povo alienado graças principalmente aos meios de comunicações que distorcem as informações, aliás desinformam, através de novelas, programas de TVs fantasiosos,.... para uma camada social que tem acesso à educação de base, claro que estes talvez não a influencie ou aliene, mas para aqueles que nunca tiveram direito de reivindicar, acabam aceitando e acreditando em tudo que ouvem.

Foi necessário então que alguém que não fosse da elite econômica, assumisse o poder político de forma autoritária, sem não fosse assim , o povo sofreria mais um golpe da já citada aristocracia. este homem é Hugo Chaves, que implantou o que os economistas denominam de desenvolvimento endógeno com um processo de   transformação estrutural da sociedade. Trata-se de um modelo produtivo baseado nas 
capacidades e necessidades venezuelanas, utilizando fundamentalmente seus próprios recursos, que visa motivar permanentemente a participação comunitária comprometida 
com o seu próprio planejamento social. 

O desenvolvimento endógeno é concebido para a Venezuela como um modelo de redução das desigualdades sociais, buscando integrar todos os ramos da economia e criar redes e cadeias produtivas, de comercialização e de consumo. Por isso, planeja-se um novo tipo de organização social para o país, baseado em cooperativas e organizações locais, que visem formar uma rede de pequenas empresas (clusters). Trata-se, portanto, de um  Projeto Nacional baseado na diversificação da produção para substituir o dependente modelo de exportação baseado na transação comercial internacional do petróleo e alguns minerais por alimentos, insumos e toda classe de produtos elaborados. 

Para tanto foi preciso fechar canais de TV que divulgavam comerciais apenas para  incentivar o consumismo, que enalteciam os EUA, que falseavam um poder de compra, que divulgavam uma educação de base inexistente,  entretenimento totalmente importado, este é o único motivo pelo qual só restou a TV Educativa.

Assim como Lula, Evo Morales foram  temidos pela classe média e alta do Brasil e Bolívia respectivamente, que os criticavam pelo seu analfabetismo,  extremismo, pobretismo, Chaves também sofre  (daqueles que pouco entendem ou se preocupam com a melhor distribuição de renda) uma crítica infindável, sem a mínima base de argumentação, uma repetição das palavras ditas na Rede Globo, Revistas veja, Isto É, Época e outras porcarias norte-americanas e o pior inventaram que ele já está morto. Não esqueçam que um dia em nosso país também desejaram que Lula morresse um pouco mais cedo. Sim está doente o único homem venezuelano que teve a coragem de romper com os EUA, com o FMI e investir num povo que merece obter a cidadania de fato.


sábado, 1 de dezembro de 2012

A América Latina e suas Lutas Sociais


A América Latina e Suas Lutas Sociais

14/08/2008
Embora os países latinos sejam independentes desde o sec.XIX, eles ainda mantiveram laços de dependencia com os países capitalistas, iniciando com a Inglaterra e depois com osEUA.

Todas as forças estavam unidas: os reformistas e nacionalistas e também as de extrema esquerda. Eles queriam por completo a ordem reinante e assim se confrontaram com os grandes centros capitalistas, assim o anseio dos países latinos –americanos pela democratização e autonomia gerou pressões no sentido de reformular as estruturas vigentes, acontecendo as ditaduras militares, governos pro-libertação, movimentos reformistas , revolucionáriose guerrilheiros . Assim esta caracterizada a América Latina no sec.XX.

México
O México, após Agustín Itúbide ter declarado sua independêcia, em 1821, passou a viver um período de instabilidade política, sob a formação de ditaduras e de dependência econômica. As condições sociais se agravaram depois que o país saiu da guerra contra os EUA, em 1848, tendo perdido quase todo seu território. Além de sofrer intervenções estrangeiras sucessivas, inclusive dos franceses, de 1861 a 1867, tentaram estalar na região o governo Habsburgo de Maximiliano.

As lutas contra estrangeiros, que desorganizavam o país, e as condições que substituiam desde a época colonial proporcionaram a instalação da ditadura Pofírio Dias (1876- 1911). Durante o porfiriato deu-se uma intensa concentração fundiária e grande entrada de capital estrangeiro para a exploração e controle de recursos minerias e produção de artigos de exportação . Dessa forma o povo concentrado nas áreas rurais ficaram mais dependentes dos grandes senhores.

No início so sec.XX, esse quadro levou ao crescimento de insatisfação entre a população, o que provocou greves operárias nas cidades e revoltas nas zonas rural. Dessas lutas surgiram líderes populares como Emiliano Zapata ePancho Villa, que comandavam os camponeses na reivindicação de seus direitos, ao mesmo tempo parte da elíte comandada por Francisco Madero, se unsurgia contra a ditadura porfirista. Unido as for’ças os exércitos revolucionários depuseram Porfirio Dias, em maio de 1911.

Eleito presidente, o liberal Madero não implantou a esperada reforma agrária, esboçando tímidas medidas sociais. Em 1911, Madero foi assassinado e o general Victoriano Huerta reinstalou a ditadura, ligada aos interesses do EUA. Pancho Villa voltou a lutar contra as forças federais, enquanto Zapata liderava no sul a revolução camponesa pela reforma agrária. As pressões levaram Huerta a renunciar, em 1914, em favor de um governo constitucional liderado por Venustiano Caranza 1914-1915).

Em 1917, foi promulgada a nova constituição do país e Carranzo foi eleito presidente. Insatisfeito com o não –atendimento as suas reivindicações, especialmente a redivisão fundiária as forças populares continuaram em luta. Entretanto perderam forças, especialmente com o assassinato de Z apata em 1919 e o afastamento de Villa em 1920, sequido de seu assassinato em 1923.

Na década de 30, a reforma agrária motivou a revolução de 1910, ainda não fora realizada: mais de 80% das terras mexicanas estavam em mãos de pouco mais de dez mil mexicanos.As manifestações nacionalistas encontraram no presidente Lázaro Cárdenas (1934-1940) um representante que exprorpiou terras e compainhas estrangeiras, nacionalizou o petroleo e estimulou a formação de sindicatos camponeses. Com tais medidas o governo passou a chamar-se Partido da Revolução Mexicana, trasformado mais tarde em Partido Revolucionário Institucional (PRI) que controlou o país até 90.

Nestas décadas o latifúndio voltou a dominar a estrutura agrária do país, passando, a economia mexicana, a beira de colapso.

Diante da imensa divida externa e do grave quadro inflacionário do país, em 1990, o presidente Andres Salinas de Gortari boscou acordos internacionais que atraissem investimentos estrangeiros, especialmente dos EUA. A íntima vinculação ao bloco norte-americano, possibilitou a integração ao Nafta (Acordo norte-americano de livre comercio), oficializada a 1º de fevereiro de 1994, comemorando como uma passagem para o mundo desenvolvido.

A entrada do méxico no Nafta, foi imediatamente ofuscada pelo levante do exército zapatista de libertação nacional (EZLN), o qual tomou várias cidades no estado de Chipas, eles proclamavam a exigencia de pão, saúde, educação, autonomia e paz.

Os enfrentamentos e sucessivos acordos entre o governo de Adres e os camponeses revoltosos durante o ano 1994 contaram, com a turbulência eleitoral durante a campainha presidencial. Foram assassinados dois menbros do partido do governo (PRI), Luis Donaldo, candidato que estava a frente das pesquisas e José Francisco Massieu, secretári do partido.

Em meio ás acusações de envolvimento do governo nos assassinatos junto com escândalos de corrupção, a economia caiu na intabilidade, enquanto Ernesto Zedillo, venceu as eleições e assumi em 1994.

No ano sequinte os escândalos continuaram a crescer, sequidos do agravamento da questão social, do desemprego, da atuação zapatista, da amior instabilidade financeira do país e do desenquilíbrio do partido revolucionário. E novamente o país cai num verdadeiro caos economico, precisando da ajuda dos EUA.

Enquanto Zedillo creditava a crise ao seu antecessor, ficava patente o descompasso entre as soluções de uma economia demercado, tão defendida na globalização economica capitalista.

Chile
Substituindo o governo de Eduardo Frei, do partido Democratico Cristão, foi eleito Salvador Allende, em 1970, da unidade popular, compostos pela aliança dos socialistas e comunistas . Sua vitória foi o resultado de um longo período de lutas populares no Chile, de uma elaborada política de união das forças de esquerda de do deliberamento do grupo conservadoe chileno.

A vitória socialista desencadeou uma mobilização social, com invasão de terras e ocupação de fábricas, presionando o governo a ir além de seus propósitos originais. O resultado foi a rearticulação das forças conservadoras, o que provocou sabotagens e instabilidade. Ao mesmo tempo, os EUA, governados por Richard Nixon, já contrários a um regime socialistas no continente , viram-se desafiados com a nacionalização de diversas empresas norte-americanas que atuavam no Chile. Sua resposta foi custear as campanhas que desencadearam a desestabilização do governo Allende, fortalecendo o desezo golpista da cúlpula militar chilena. De 1970 a 1973, as forças armadas chilenas, sob comando de Augusto Pinochet, bombardearam a sede do governo, o palácio presidencial de La Moneda, numa ação que levou Allende a resistir até a morte.

Ao assumir o governo, Pinochet estabeleceu uma das ditaduras mais violentas da América Latina. Na década de 80, as pressões populares e internacionais sob a ditadura chilena de Pinochet avolumaram-se e, de1987 a 1988, diante da distensão nas relações internacionais e do esgotamento político interno, as pressões pela democratização tornaram-se irrefreáveis.

No início de 1990, buscou-se no Chile uma transição pacífica para a democracia, por meio de eleições presidenciais, as quais foram vencidas por Patrício Aylwin zocar, candidato pela Frente Oposicionista Acordo pela . Democracia. Pinochet, no entanto, continuou no comando do exército chileno.

O presidente Aylwin foi sucedido, em 1994, por Eduardo Frei, enguanto Pinochet permaneceu à frente do poder militar chileno. Contudo, em 1995, emergiu uma séria crise política, quando a Corte Suprema determinou a prissão dos principais chefes da polícia secreta da ditadura.

Na economia desde a época da ditadura de Pinochet, o país assumiu as receitas neoliberais, crescendo num ritmo bastante rápido e continuou na mesma situação com os governos pós-Pinochet . Os avanços e a instabilidade financeira fizeram do Chile um dos países sempre citados como exemplo de sucesso no processo de abertura típica economica dos anos 90em economia capitalista globalizada. Com uma inflação que pulou dos 285 ao ano, em 1990, para os 8,3%, em 1994, além da média, em cinco anos seguidos, de crescimento do PIB de 6%, um terço dos chilenos continua vivendo na pobreza, ganhando menos de 100 dólares por mês.

América Central
Até a época da independência mexicana (1821), a região incluía o México e ,quando ele se separou, ela recebeu o nome de Províncias Unidas da América Central. Em 1838, os interesses das elites locais dos EUA e da Inglaterra, defensores do lema dividir para reinar, propiciaram a formação de diversos estados autônomos na região: Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica, aliados as tradicionais potências capitalistas, especialmente EUA.

Para garantir seus interesses na região, os norte-americanos fizeram diversas intervenções armadas, como no Panamá, em 1903, garantindo o controle da zona do Canal, e outras que buscavam sufocar os movimentos guerrilheiros locais , como o líder camponês nicaragüense Augusto César Sandino, Além disso mantiveram a região sob seu controle por meios economicos e diplomáticos desprezando os princípios da ONU e OEA.

Apesar disso nos fins dos anos 70, os movimentos populares cresceram na América abalando a supremacia norte - americana . O principal exemplo dessa nova conjuração foi a Revolução Sandinista de 1979, na Nicarágua que derrubou a ditadura de Anastácio Somazo, também o Panamá consequiu acordos com o governo Carter na qual os EUA se comprometia a devolver o canal ,à soberania panamenha.

Entretanto a posição da força norte-americana nunca foi abandonada, e com apoio dos contra nicaragüenses os EUA conseguiram a desorganização internacional da Nicarágua. Nas eleições Daniel Ortega líder sandinista foi derrotado, cabendo a vitória a Violeta Chamorro, pró-EUA.

Durante sua presidência, ele aproximou-se dos sandinistas, apesar das pressões dos EUA, a ONU, em 1993 a ONU rompeu com o presidente, seguindo-se um agravamento político na Nicarágua.

Outra demonstração da diplomacia do canhão foi a invasão do Panamá em 1989, que derrubou o presidente Manuel Noruega, acusado de envolvimento com drogas, ele foi preso e levado para os EUA para julgamento.

Outra intervenção norte-americana aconteceu no Haiti em 91, dessa vez para reempossar o presidente democraticamente eleito Jean-Bertrand Aristide, deposto por uma junta militar. A operação contou com 20 mil soldados e garantiu seu mandato até emergirem provas do envolvimento da CIA com o governo anterior à democratização.

O duradouro estado de guerra na América Central reforça a pobreza e a miséria comum a toda América Latina, ativando a ebulição política ideológica.

Para o conjunto de países latino-americanos o empobrecimento da maioria da população, tem exigido políticas inovadoras bancadas por partidos reformistas e de centro. Substituindo ditaduras, subiram ao poder presidentes eleitos diretamente em quase todos os países. As propostas liberais e reformistas dos partidos de centro e de direita ganharam corpo, desbancando as propostas da esquerda.

De acordo com a política neoliberal, busca-se o saneamento econômico interno, a abertura dos mercados nacionais ao capitalismo internacional e a diminuição do Estado exugando-o com a privatização de empresas do governo e da diminuição dos gastos públicos. O sucesso econômico não tem conseguido favorecer a maioria da população propiciando cada vez mais o aumento do poder das megaempresas nacionais ou multinacionais.

O mais grave é a recente democratização conseguida em quase todo o continente, começou a apresentar baixas, como aconteceu no Peru em 1992, o presidente Alberto Fujimori fechou o congresso e concentrou todo o poder em suas mãos ignorando a constituição e anulando direitos, o principal sucesso do presidente foi ter diminuído a ação do grupo terrorista Sendero Luminoso, sem ter revertido o quadro social.

Certamente, é a ampliação da democracia dando voz e força à maioria da população latino-americana . Assim a política neoliberal e a globalização econômica que envolve os diversos governos latino-americanos, continua a quadrar o dilema da nova ordem internacional do pós- Guerra fria .

Refletindo os novos tempos, os muitos movimentos revolucionários nascidos no período da Guerra Fria estão em composição com os governos locais , outros em claro refluxo, alguns em extinção ou talvez até em drmência momentânea. Deles, tão destacados pela impresa internacional como representantes da turbulência ininterrupta continental, citavase o Unidade Revolucionária Nacional, da Guatemala e cidade do México da frça popular revolucionária Lorenzo Zelaya e outros, porém os mais significativos são:

• Frente Farabunda Martí de Libertação Nacional : criado em 1980, em El Salvador e Honduras, buscava a implantação de um regime comunista tradicional como o soviético.

• Movimento 19 de abril (m-19) : fundado em 1970 na Colômbia, combatia o governo defendendo a instalação de um regime popular nacional . No início dos anos 90 junto com outros grupos revolucionários buscou o fim da confrotação militar e a consolidação democrática.

• Sendero Luminoso: fundado em 1969 no Peru com base na guerrilha rural, buscava a fundação de estado indígena soberano. Com forte inspiração maoísta chinesa, desde o início dos anos 90 tem sido a organização mais ativa de todo o continente.

• Movimento Revolucionário Tupac-Amaru: fundado em 1984 no Peru, por estudantes universitários, seque os ideais marxistas sem a xenofobia dos senderistas, apresentando-se como seu rival no norte do país.